Mulheres de 30/40 anos não são mulheres de 20 anos. São diferentes, com outros projetos de vida, com corpos modificados pela experiência. Contudo, a imagem da mídia é poderosa porque vivemos numa cultura ótica, e ninguém reflete sobre qual imagem será introjetada, elas simplesmente são apreendidas, levando muitas mulheres a se sentirem indignas e humilhadas porque envelheceram.
A imagem nunca condiz ao fato. Imagens são estopins aos sonhos, são esquivamentos ao vivido, tentativas de pleitear outras realidades.
O tempo flui e somos outros a cada instante.
Sou a favor do envelhecimento porque sou a favor da vida. Trabalhando há anos com pessoas acima de 60 anos, tive inicialmente o desafio de ver a beleza da deformidade do corpo no gesto delicado, no movimento simples. Quando digo “deformidade” refiro-me principalmente ao desvio da forma dada pelo modelo social. Não me refiro ao "anormal", mesmo porque não acredito na anormalidade. Somos e seremos sempre anormais e normais dependendo do contexto em que estivermos.
Após alguns anos, envelhecendo, fui privilegiado a não correr atrás de imagens que possam agradar aos outros. Felizmente, fiquei desiludido com o modelo estanque de beleza. O belo, para mim, passou a ser o que é pleno em sua singularidade.
Por isso, é interessante conhecer o trabalho de Diane Arbus, fotógrafa americana, que mostrava, na década de 60 e início da década de 70, a beleza da vida pelo lado da deformidade, do "esquisito", do travestido, e de pacientes internados em asilos.
Ela escreve:
"Pessoas esquisitas foram uma coisa que eu fotografei muito. Era uma das primeiras coisas que eu fotografei e que teve um impressionante tipo de excitação para mim. Eu costumava adorá-los. Eu ainda adoro algum deles. Eu não quero dizer que eles são meus melhores amigos, mas eles me fizeram sentir uma mistura de vergonha e admiração. Há uma certa lenda sobre o esquisito. Como uma pessoa num conto de fada que pára você e exige que responda a um enigma. A maioria das pessoas passa a vida com receio que um dia terá uma experiência traumática. As pessoas esquisitas já nascem com seu trauma. Elas já passaram pela prova em vida. Essas pessoas são aristocratas."