|
A
MENTE E O SIGNIFICADO DA VIDA
AO
APERTAR SUA MÃO, O QUE VOCÊ SENTE? A sensação
está na mão ou no cérebro? Lembro-me
de que essa pergunta foi o início de uma discussão
na aula de Fisiologia do curso de pós-graduação
em Neurologia. De um lado, os defensores da neurofisiologia
mecanicista; do outro, os adeptos da neurociência
filosófica. Embora todos fossem alunos do mesmo
curso, a turma se dividiu. Profissionais costumam discutir
para sustentar suas opiniões.
Eu quis acalorar a discussão usando um koan que
havia lido em um livro budista. O koan é um enigma
zen usado na prática Rinzai para se atingir a
iluminação. Ele não pode ser resolvido
pelo raciocínio lógico. Para tentar resolvê-lo,
o aprendiz deve ir além do raciocínio
dedutivo. Existem vários koans; o que usei foi
um bastante conhecido: “Qual o som de uma única
mão ao bater palmas?” O silêncio
de ambos os grupos foi imediato; ninguém conhecia
os koans, e, portanto, acreditaram que eu estivesse
achincalhando a discussão. Alguns saíram
da sala me acusando de irônico. Não quis
ser sarcástico; apenas acreditei que pudéssemos
pensar o cérebro de outro modo que não
fosse pelo pensamento linear. Mesmo porque a própria
pergunta se parecia com um koan e não podia ser
respondida de modo linear. Se, na Neurologia, pudéssemos
usar koans zen, poderíamos fazer essa pergunta
da seguinte maneira: “Ao apertar sua mão,
onde está a sua mão, no cérebro
ou em A mente e o significado da vida 310806.pmd 21
31/8/2006, 11:15 22 você?” Pode parecer
brincadeira, mas, se filosofarmos um pouco mais, será
que poderíamos responder, com certeza, onde está
o nosso corpo? Na Neurologia, nem sempre foi possível
obter respostas claras para os grandes enigmas. Desde
Descartes (1596-1650), que acreditava que os movimentos
da alma lançavam os espíritos em direção
aos poros das paredes dos ventrículos cerebrais,
para depois viajarem pelos nervos colocando a vontade
da alma em prática, Thomas Willis (1621-1675),
“viciado em abrir cabeças” como ele
próprio se denominava, que insistia em descobrir
os lugares secretos da mente, passando por Franz Joseph
Gall (1757–1828) com sua incrível frenologia,
até semana passada (março de 2006), quando
escutei de um renomado neurocirurgião, e professor
catedrático de uma conceituada universidade federal
brasileira, acerca de uma cirurgia realizada por ele:
“Eu retirei grande parte do cérebro, porém
as estruturas nobres foram preservadas”. Isso
só me faz refletir com tristeza que pouco se
mudou. Muda-se o cenário, mas continua o mesmo
paradigma. As respostas continuam sendo interpretações
lógicas, de cunho dedutivo. Quando fiz o curso
de Neurologia, estava na efervescente década
das pesquisas do cérebro. Novas descobertas surgiam
todos os dias, e, com elas, as refutações
brotavam abundantes. Tínhamos novos modos de
olhar e compreender o incompreensível. Cada livro
tentava ser mais didático do que o outro. Para
ser de fácil entendimento, tudo era simplificado.
Enveredar pela trilha da mente sempre foi uma viagem
fantástica. Na primeira parte deste livro, pretendo
caminhar pelas absurdas, porém não menos
válidas, tentativas dos diversos pesquisadores
do cérebro na busca da sede da alma. Atravessaremos
os pensamentos desses grandes homens e veremos que a
mente não é o cérebro. Para abordar
a mente, proponho trafegar em minha própria história,
pois não poderia escrever sobre a mente na terceira
pessoa. Assim, em vários momentos trarei fragmentos
de minhas lembranças e fatos construídos
em minha própria história. A meu ver,
as árduas tentativas em compreender a mente sempre
foram, e continuarão sendo, a busca do significado
da vida. Quando comecei a me interessar pela neurologia,
foi no sentido de buscar respostas para as minhas reflexões.
Meus pensamentos sempre foram inconstantes acerca do
que é o viver, o adoecer, e o morrer. Pelo fato
de querer ser terapeuta (muito diferente de ser fisioterapeuta),
o meu interesse sempre esteve no sujeito e não
no objeto. Infelizmente, não consegui encontrar
mestres que me fornecessem A mente e o significado da
vida 310806.pmd 22 31/8/2006, 11:15 23 respostas fundamentais,
mesmo que apenas fossem aproximações da
natureza do real. Atualmente alcancei o entendimento
de que ser humano é ser sujeito e, conseqüentemente,
é ser enigma, estranho, indeterminado. Estudar
neurologia não me possibilitou atingir respostas
confortáveis, pois ela sempre esteve direcionada
aos problemas, aquilo que não funciona bem, conhecer
procedimentos para solucionar patologias. Demorei muito
tempo para entender que a doença é uma
peça do teatro da mente, com enredo bem escrito
e personagens bem trajados. O corpo, nesse caso, é
o palco em que todos podem assistir à encenação.
Lembro-me de Carlos, meu primeiro paciente neurológico,
um rapaz de 22 anos. Nós tínhamos a mesma
idade na época. Ele sofrera um acidente de moto.
Estava em alta velocidade quando entrou debaixo de um
caminhão carregado de tijolos. Ele teve diversas
fraturas na coluna cervical, deixando-o com uma lesão
medular severa. Carlos não conseguia mexer nenhuma
parte do corpo senão o pescoço. Mesmo
assim, não tinha muita amplitude de movimento,
porque teve de ser submetido à cirurgia de estabilização
da coluna cervical. Numa das sessões terapêuticas,
ele estava muito nervoso e esbravejava, sendo extremamente
grosseiro com as pessoas. Quando cheguei perto dele,
achei que deveria confortá-lo e, cheio de mim
mesmo, fui logo lançando minha “filosofia
de botequim”. É uma pena não poder
lembrar meu próprio rosto, mas, com certeza,
eu tentava dissimular minha fragilidade. Eu disse, com
a minha mão repousando no ombro dele: “Não
fique assim, eu sei o quanto é difícil
para você”. O olhar dele foi inesquecível.
Lembro-me, como se fosse hoje, daqueles olhos verdes
de raiva. Eram olhos penetrantes e violentos. Ele parou
de esbravejar por um instante e disse calmamente: “Você
sabe o que é ter uma lesão medular e ficar
paralisado do pescoço para baixo? Sabe o que
é depender de outras pessoas para fazer as coisas
para você? Sabe o que é perder o próprio
corpo para sempre? Se não sabe, pare de falar
merda e cale a boca seu babaca!” Aquilo veio com
tanta intensidade que o meu corpo ficou anestesiado.
Não pude agüentar; todas as minhas couraças
profissionais se desarmaram, e fiquei totalmente nu.
A minha vulnerabilidade acabava de ser violentada por
palavras certeiras. Tive de me despedir e dizer à
mãe dele que não podia tratá-lo
naquele dia; voltaria dali a dois dias. Quando entrei
no meu carro, chorei copiosamente. Não podia
entender o que estava acontecendo. Sentia uma mistura
de sentimento de humilhação, fragilidade,
insignificância, impotência, incompetência.
O ego profissional se esfacelou, não sobrando
nada. Depois de alguns minutos, olhei-me no espelho
retrovisor do carro e disse a mim mesmo: “Se eu
não souber tratar de gente como gente, eu desisto
aqui e agora”. Dali para frente, eu resolvi buscar
outros conhecimentos que pudessem me formar melhor;
precisava aprender a calar caso desconhecesse os sentimentos
alheios. Não tive a oportunidade de estar com
ele novamente; Carlos morreu dois dias após o
ocorrido, por overdose de cocaína. Essa imagem
mental andará comigo por muitas léguas.
Carlos me ensinou, naquele ínfimo momento, o
que não aprendi em anos na faculdade. É
preciso renovar o aprendido desde sempre. Como dizia
o grande poeta português Fernando Pessoa: Procuro
despir-me do que aprendi, Procuro esquecer-me do modo
de lembrar que me ensinaram, E raspar a tinta com que
me pintaram os sentidos, Desencaixotar as minhas emoções
verdadeiras, Desembrulhar-me e ser eu... Se esquecer
é mais difícil do que lembrar, nada melhor
do que aprender a ser incapaz num mundo “tão
competente”, repleto de fachadas. Quase 20 anos
após esse fato, percebo ainda que competência
profissional nada mais é do que história
de heroísmo criada para satisfazer a egos esburacados.
Muitos profissionais da saúde carregam o fardo
do mito do herói, acreditam ser o salvador; tudo
pode ser solucionado, bastando, para isso, se atirar
nas pesquisas de ponta. Somos construídos no
modelo do auto-engano para nos sentirmos seguros. Quando
tratamos de gente, tudo ocorre de modo tão complexo
que é impossível saber a origem e o fim
de um processo. O humano é indeterminado, porquanto
impossível de se desvelar por completo. O desdobramento
de uma história só pode ocorrer no contexto
presente. Mesmo assim, tudo não passa de história
criada por nossas mentes.
A meu ver, se as histórias não fossem
criadas, muitos não suportariam o tranco do dia-a-dia
da profissão. Porém, até aonde
vai o auto-engano para nos sentirmos satisfeitos? A
Neurologia é tão enigmática quanto
os koans. Buscar respostas não é o mesmo
que ter certeza de possui-las. Ao se aproximar de certezas,
cai-se em paradoxos. “A natureza resguarda o ventre
escuro donde gera incansavelmente o que vemos, ouvimos,
degustamos e dizemos.”A ciência se constitui
na procura de respostas, e não em conclusões
absolutas. Atualmente os grandes cientistas aceitam
que suas teorias são apenas descrições
da realidade. Recebemos a herança amarga da certeza.
Desde Aristóteles, viver na incerteza e ser transitório
se tornou inaceitável. O incompreendido foi fragmentado
e analisado a fim de se obter clareza. Quanto mais se
corta e isola, mais se afasta do contexto. O que não
é contextual não pode ser real. Em nossos
dias, os detalhes são enaltecidos, e o que pode
ser visto e analisado é considerado verdadeiro,
enquanto o invisível se tornou somente crença.
O ego cartesiano é exaltado em detrimento da
natureza do vir-a-ser heraclitiano. O limite do conhecimento
passou a ser inaceitável para as mentes que se
alimentam de poder. Isso é tão freqüente
que, nos discursos diários, perder o poder de
conhecer passou a significar perder o próprio
paraíso. Muitos afirmam que a divindade habita
egos. Quanto maior a certeza, maior o jogo das sombras.
A dança das imagens mentais engana, de modo que
não conseguimos perceber que estamos sendo joguetes
na mão da mãe natureza. Viver é
encenar roteiros escritos por nós mesmos. Assim,
pretendo mostrar, na segunda parte deste livro, que
somos livres para criar nossas histórias. Nada
pode ser trazido para dentro de nós a não
ser em forma de imagens. São essas imagens mentais
que nos fazem ser quem somos e ver o mundo como vemos.
Assistir ao espetáculo da vida é construir
mentalmente o próprio espetáculo enquanto
ele se desenrola. No processo do vir-a-ser, nada sabemos,
só podemos criar histórias para a nossa
satisfação. O que nos faz humanos é
ser munidos de consciência e, portanto, saber
que sabemos. Na terceira parte, quero enveredar pela
consciência a fim de trazer à luz o que
nos torna conhecedores de nossa própria realidade.
Porém, conhecer a realidade de maneira objetiva
se tornou um problema profundo, principalmente após
as descobertas da nova física. Ser parte daquilo
que observamos revelou nossa limitação,
e a pretensão de conhecer o mundo de modo impessoal
passou a ser um grande equívoco. Nunca estaremos
livres de nossas lentes e sempre vamos estar à
mercê de nossos filtros. A mente humana é
um teatro em que são encenados símbolos,
e o resultado final de cada ato é o corpo (fresh
symbol), paisagem de nós mesmos. O corpo nos
fornece a nitidez de nossa experiência. Só
a experiência é real? Dentro de nós,
existe uma potência, um modus operandi do vir-a-ser.
Isto é, na mente, existe o que queremos que exista.
Ter uma mente é ter uma escolha. Na potência,
tudo pode ser construído; porém, a construção
será sempre inacabada, incerta e imperfeita.
A dúvida engendra um movimento à frente,
rumo à evolução da espécie
humana. O real é apenas um conceito, símbolo
criado por nós mesmos. A sensibilidade do corpo
permite a ele reagir ao ambiente, aprender e acumular
experiências. A estrutura humana evoluiu e aprendeu
a decifrar a realidade baseada principalmente na compleição
fornecida pelos sentidos. O que não se pode sentir
passou a ser visto como irreal. Contudo, a evolução
da mente humana propiciou a articulação
de códigos simbólicos. Daí surgiram
expressões artísticas, escopos religiosos,
filosofias existenciais, aventuras reflexivas. Novos
jogos da natureza se estabeleceram, e passamos a transcender
o corpo para atingir o numinoso. Quanto maior o conhecimento,
maior o questionamento, e mais nos chafurdamos no lodo
da dúvida de quem somos nós, por que somos
como somos, se o que está na mente é real,
se podemos acreditar naquilo que sentimos, e se desconfiar
do real é duvidar de nossa própria existência.
O propósito deste livro não é preencher
lacunas, e sim abrir espaços para outras construções
criativas. O humano é inacabado; portanto, seria
impossível determinar o indeterminado. De qualquer
modo, é possível produzir novos conceitos,
novas maneiras de ver o invisível. A ciência
da física das partículas elementares tem
se mostrado um instrumento hábil no auxílio
do conhecimento daquilo que nossas sondas sensoriais
não podem captar. A teoria da incerteza de Heisenberg
já minimizou muitas de nossas pretensões
científicas. Porém, muitos ainda não
querem acreditar nisso, deixando de lado o micro para
se voltar apenas ao macro. Quando retiramos parte do
real, ele deixa de ser real. Viver na dúvida
é também uma possibilidade. Ficar menos
poderoso é também sofrer menos. Quando
o poder acaba, termina também o sofrimento de
não almejá-lo. Na incerteza e no inacabado,
está a história de todos nós humanos.
Enquanto vivermos, estaremos em busca de desdobrar conhecimento
em significado. Isso nos gera a motilidade, um movimento
interno de origem desconhecida que nos propicia coragem
em continuar na senda do desvelamento. Não podemos
viver sem significado. Fomos dotados de consciência;
no entanto, é preciso desvelar, cumprir, criar,
decidir. Enfrentamos momentos difíceis, nos quais
somos convencidos a comprar alicerces prontos. Sem decisão,
não há responsabilidade; sem responsabilidade,
não há vida. Sem a oportunidade de escolha,
ficamos à deriva, somos cerceados à opinião
das massas. Atravessamos uma época difícil
cujas condutas destrutivas, em decorrência do
paradigma competitivo, nos geraram medo de apostar no
novo; a lei da sobrevivência se firmou no modelo
equivocado do vencer pela eliminação do
adversário; a incerteza, que sempre produziu
saídas criativas, se transformou em desesperança
e posturas apáticas; a experiência da beleza
passou a ser vendida em lojas de departamento, enquanto
a televisão e as redes virtuais da internet nos
enganam com promessas de um mundo seguro e sólido;
as religiões criam modelos de heróis salvadores
baseados na cultura cinematográfica de Hollywood;
a transcendência ao numinoso se tornou caminho
simples a partir do auxílio de substâncias
alucinógenas; o cérebro se transformou
em uma máquina computacional cujo programa pode
ser construído de acordo com as exigências
do freguês; as universidades se interessam pelo
conhecimento vendido; assim, o importante é obter
o certificado, um ticket que permite a livre passagem
para o mundo profissional. Enfim, chegamos à
era do paradigma pós-humano, referenciado no
avanço tecnológico cujos instrumentos
modernos fornecem todas as certezas, quantificando e
somando medidas precisas, fundamentadas em uma lógica
linear que tudo pode. Nessa etapa, acredita-se que o
humano em si é insuficiente, e a forma biológica,
inadequada às demandas do meio. Por isso, é
necessário reprojetar o humano de maneira competente
a fim de que ele se torne uma máquina exímia,
sem erros ou perturbações. Estamos mais
próximos da ficção do que daquilo
que podemos denominar de real. Nos dias de hoje, o simulacro
se tornou verdade absoluta. Pensar o humano sem refletir
acerca da mente e da consciência não faz
sentido. Para lograr o conhecimento, será preciso
se deparar com o invisível, o intangível.
Porém, o que elude a percepção
merece atenção? A meu ver, sem descrever
o invisível, é impossível atingir
o visível, a matéria, o corpóreo.
Sem corpo, não há mundo, só sonho
sem forma. Como reaver a forma perdida? Pela re-volta
e pela responsabilidade. Voltar para dentro em busca
de si mesmo a fim de responder às demandas da
vida. Esse é o propósito crucial de todo
ser vivo. No visível, tudo se mostra simples,
porém repleto de buracos. Ao enveredarmos pela
senda do autoconhecimento, nos deparamos com algo mais
profundo e observamos que o visível é
somente a ponta do iceberg. O veladotem muito a nos
ensinar. Por isso, não basta conhecer o cérebro
para saber quem somos. Repetirei, diversas vezes, que
o cérebro não é a mente, pois a
proposta deste livro é buscar sentido e elucidar
equívocos. Convido o leitor a ir além
do neocórtex. Não devemos aquiescer ao
velado sem tentar desdobrá-lo. Mesmo que saibamos
que a mente constrói histórias para nos
satisfazer, é preciso se revoltar e ser responsável.
Se a afirmação de alguns cientistas quânticos
estiver certa, quem sabe encontraremos aqui respostas
apaziguadoras para o nosso caminho. Se tudo sai antes
de nós para depois podermos perceber o que está
fora, quem sabe descobriremos que o significado da vida
está no interlúdio da concretização;
no espaço entre o eu e o não-eu, no trânsito
da relação humana. Portanto, quero propor,
neste livro, uma viagem pelos escombros de minha própria
mente. Não quero enunciar caminhos sem que eu
possa estar neles. Não posso conceber a mente
do outro, pois nela existe algo a mais, inacessível
a minha compreensão. Sendo assim, quero propor
aqui uma jornada por minha própria história,
lembranças da infância de um garoto curioso
que buscava atravessar a janela do quarto a fim de descobrir
o que existia fora, desafiando o próprio aprendizado,
arriscando perder as raízes maternas. Um garoto
que buscou esculpir paisagens belas e sensíveis
para viver melhor. Creio que somos capazes de romper
com todas as forças que nos aprisionaram, mesmo
que essas forças sejam familiares. Nascemos sozinhos
e viveremos sozinhos, porque ser é um vir-a-ser
contínuo. Não há como escapar de
nós mesmos senão pelo modelo do auto-engano.
As sensações e as manifestações
de meu corpo, de toda uma época, estão
vivas. Envelhecer me permitiu ter uma perspectiva totalmente
diferente do tempo. Por isso, buscar respostas em mim
mesmo é convidar o leitor a estar ao meu lado,
desvendar a si mesmo. Ninguém constrói
caminhos para estar isolado; quero compartilhar com
você minha trajetória e meus questionamentos,
mesmo sabendo da presença infinita de minha solidão.
|
|
|
|